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Mortes em Gaza desde retomada de ataques passam de 1 mil, diz Hamas; Israel diz estar 'fragmentando' território

Exército israelense voltou a bombardear Faixa de Gaza há duas semanas, rompendo trégua entre os dois lados. No total, mais de 50 mil pessoas morreram no terr...

Mortes em Gaza desde retomada de ataques passam de 1 mil, diz Hamas; Israel diz estar 'fragmentando' território
Mortes em Gaza desde retomada de ataques passam de 1 mil, diz Hamas; Israel diz estar 'fragmentando' território (Foto: Reprodução)

Exército israelense voltou a bombardear Faixa de Gaza há duas semanas, rompendo trégua entre os dois lados. No total, mais de 50 mil pessoas morreram no território por conta de bombardeios desde o início da guerra, em 2023, segundo governo local, controlado pelo Hamas. Mulher chora durante funeral do marido na Faixa de Gaza, em 3 de abril de 2025. Abdel Kareem Hana/ AP Desde que Israel retomou os bombardeios na Faixa de Gaza, há duas semanas, mais de 1.000 pessoas já morreram por conta dos ataques, disse nesta quinta-feira (3) o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. No total, o número de mortos pelo conflito já passa de 50 mil, ainda de acordo com o ministério. Há duas semanas, Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza, rompendo um cessar-fogo entre o governo israelense e o Hamas vigente desde janeiro deste ano. Os dois lados vinham negociando a segunda fase da trégua, mas encerraram o diálogo por conta de desacordo em pontos como a devolução dos reféns. 'Fragmentar' Gaza Governo de Israel anuncia expansão das operações militares e plano de tomar extenso território da Faixa de Gaza Nesta nova fase da guerra, Israel pretende "fragmentar" Gaza, ocupando áreas distintas para pressionar o Hamas a liberar os reféns ainda sob poder do grupo, segundo disse na quarta-feira (2) o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. "O Exército está fragmentando a Faixa de Gaza e aumentando a pressão pouco a pouco para que nos devolvam os reféns", declarou Netanyahu, ao acrescentar que Israel "toma territórios, atinge terroristas e destrói infraestruturas". O líder israelense também informou que as Forças Armadas estão "tomando o controle do 'Eixo Morag'", uma faixa destinada a separar as cidades de Khan Yunis e Rafah, no sul do território. O nome do eixo faz referência à antiga colônia judaica de Morag, desmantelada em 2005, quando o Exército israelense se retirou unilateralmente de Gaza. Segundo a Defesa Civil da Faixa, um dos bombardeios israelenses de quarta-feira matou 19 pessoas, entre elas nove crianças, em uma clínica da agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) em Jabalia, no norte do território. O Exército declarou que tinha atacado milicianos do Hamas "dentro de um centro de comando e controle" em Jabalia e confirmou em separado à agência de notícias AFP que o edifício abrigava uma clínica das Nações Unidas. 'Libertar os reféns' O Fórum das Famílias, a maior associação de familiares dos reféns sob poder do Hamas, se declarou "horrorizado" com o anúncio do governo israelense. "Ao invés de libertar os reféns com um acordo e pôr fim à guerra, o governo israelense envia mais soldados para Gaza para combater nas mesmas áreas onde lutaram mais de uma vez", assinalou. Os países mediadores de ambas as partes — Catar, Egito e Estados Unidos — trabalham em um novo acordo de cessar-fogo que permita o retorno do restante dos reféns do Hamas. Um alto dirigente do movimento islamista disse no sábado que o grupo havia aprovado uma nova proposta de trégua apresentada pelos mediadores e instou Israel a fazer o mesmo. O gabinete de Netanyahu confirmou ter recebido a proposta dos mediadores e informou ter apresentado uma contraproposta. Os detalhes destas últimas manobras de mediação não foram revelados. Mas o Hamas anunciou na quarta que "decidiu não responder à última proposta israelense apresentada por meio de mediadores", declarou um dos responsáveis do grupo à AFP sob anonimato, acusando Israel de "obstruir uma proposta do Egito e do Catar e de tentar fazer o acordo descarrilar". Nesse contexto de forte tensão, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, provocou nova polêmica nesta quarta-feira ao visitar a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, o terceiro lugar mais sagrado do islã. A visita suscitou a condenação não apenas do Hamas, mas também da vizinha Jordânia, que atua como guardiã do local sagrado, além do Catar e de outros governos. Padarias fechadas No domingo, Netanyahu ofereceu aos líderes do Hamas a possibilidade de deixar Gaza, sob a condição de que o grupo entregue as armas. O movimento islamista declarou que poderia abrir mão de administrar Gaza após o conflito, mas se nega a depor as armas. A guerra foi provocada pelos ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023, contra Israel, que deixaram 1.218 mortos. Para aumentar a pressão sobre o grupo terrorista, Israel também bloqueia, desde 2 de março, a entrada de ajuda humanitária na já sitiada Gaza. Algumas padarias fecharam pela falta de açúcar e farinha. "Passei toda a manhã indo de padaria em padaria, mas estão todas fechadas", disse à AFP Amina al Sayed na Cidade de Gaza.